terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Jarelise pt. 2 *o*

"E mais um longo dia se findara. Ele finalmente chegava em casa após mais uma noite de trabalho. Já era tarde. Passava da meia-noite, mas era esse o horário que costumava chegar. Deixou o material em cima da mesa, cadernos, livros, cadernetas e os óculos que recentemente fora obrigado a usar. Era muito jovem ainda, mas pelas longas horas de leituras com pouca luz que a profissão lhe obrigara, a visão fora sendo desgastada e encontrava o conforto no bom e velho óculos que lhe deixava, junto com a barba crescida, com a aparência muito mais velha do que realmente era.
Suspirou, feliz por estar em casa e abriu lentamente a porta do quarto, sorrindo ao ver seu amor dormindo tranquilamente. A luz da lua entrava pelas largas portas de vidro que levavam à um quintal privativo na beira da montanha. Uma brisa suave brincava com as cortinas púrpuras, trazendo um sopro frio ao aposento. Ela tremeu ligeiramente, ele franziu o cenho e ajoelhou-se na cama, cobrindo-a. Acariciou seus belos cabelos negros, beijando-a suavemente na testa.
-Te amo muito, meu amor. – sussurou ele – Minha Eloíse.
Da profundeza de seus sonhos, ela sentiu a presença do marido e sorriu levemente. Ele riu, e dirigiu-se ao banheiro.
A água quente corria por seu corpo, relaxando cada músculo, dissipando-lhe os problemas do dia, levando pelo ralo as revoltas adolescentes que a profissão lhe levava a estar em contato. Sentindo-se relaxado novamente, fechou o chuveiro, enrolando-se na toalha fofa.
-Jared? – Ouviu o sussuro sonolento de sua esposa chamando-o. Sorriu, colocando rapidamente seu pijama de algodão. A noite estava quente, portanto, resolveu dispensar a camisa. Saiu do banheiro sorrindo, encarando os belos olhos azuis acinzentados que não cansava de olhar.
-Oi, meu amor. – murmurou ele – Me desculpe. Tentei não te acordar, mas não resisti te ver ai... tão linda.
Ela riu, espreguiçando-se.
-E como você acha que eu conseguiria dormir sem a visão do meu anjo aqui, na minha frente? Tão seduzente... – Disse ela rindo, com uma careta maliciosa e os olhos brilhando de puro amor.
Ele riu, secando os cabelos com uma toalha seca.
-Sua exagerada! Você estava dormindo profundamente quando eu cheguei!
Ela começou a protestar, mas foi acometida por um bocejo que a incriminou. Os dois riram da romântica mentira descabida da garota. Jared deitou-se na cama, passando os cabelos molhados pelo rosto da esposa, que sorriu, fingindo nojo. Ela puxou-o para si, beijando-o amorosamente nos lábios, sussurando, sorridente:
-Te amo tanto... Meu professor com síndrome de italiano.
Ele riu, beijou-a uma última vez e levantou-se lentamente.
-Vou comer algo. Esqueci meu lanchinho hoje. Tive que roubar uns salgadinhos de uns alunos.
Ela revirou os olhos, exclamando:
-Mas é um cabeça oca mesmo! E ainda rouba lanche dos alunos! Que exemplo, hein, Sr. Tielo?!
Ele abaixou os olhos, fingindo-se envergonhado e murmurou:
-Me desculpe, Sra. Tielo. Não vai acontecer novamente. Prometo!
Ela sorriu, reprimiu um bocejo e disse, carinhosamente:
-Deixei um sanduiche pra você na torradeira. E tem um pouco daquele suco de maracujá na geladeira...
-Ora, mas essa sra. Tielo é muito prestativa! – exclamou, sorridente. – Agora, vamos. Pode dormir que amanhã a professora acorda cedo que eu sei. E se ela ficar cansada e falar que foi o marido que não a deixou dormir a coisa não vai ficar boa pro meu lado!
Ela sorriu, apagando um dos abajures e, suspirando profundamente, aninhou-se novamente na cama e dormiu.
Jared comeu rapidamente o delicioso lanche da esposa. Estava exausto. Escovou os dentes, e deitou-se ao lado da mulher que tanto amava, apagando a luz e abraçando-a, sussurando:
-Obrigado, amor. Estava delicioso. Te amo, Ís. Dorme bem.
Ela beijou-o delicadamente e aninhou-se confortavelmente em seus braços.
E assim, dormiram mais uma noite o casal Tielo...
 "a

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Jarelise *---*

[...]

Respirou profundamente após alguns rápidos, porém valiosos minutos de meditação. Sorriu, sentindo-se recuperada da longa caminhada. Correu as mãos pelos longos cabelos encaracolados, prendendo-os num simples e elegante rabo de cavalo. Levantou-se lentamente, ainda meio anestesiada pelo mundo à sua frente e, juntando suas coisas, despediu-se solenemente do belo coreto.
Subiu a curta estradinha íngreme que levava da porteira à porta de sua casa, de onde pode ouvir uma animada música italiana tocando na rádio, com Jared cantando-a com sua voz grave e melodiosa. O doce aroma do molho de tomate no fogão não deixava dúvidas quanto ao cardápio do almoço.
Abriu silenciosamente a porta, segurando o riso ao ver seu amor na bancada de chapéu de chef e avental, cortando tomates, distraído. Eloíse colocou a bolsa sobre o sofá e caminhou silenciosamente até o marido. Esperou ele largar a faca e tapou-lhe os olhos, numa antiga brincadeira clichê dos dois.
-Amore mio! – Exclamou o chef, virando-se sorridente e passando as mãos pela cintura da esposa, puxando-a para si. Ela não perdeu tempo, acariciando-lhe a nuca e içando-se para beijá-lo.
-Buon giorno, anjo. – murmurou ela sorrindo. – O que temos para mangiare hoje? – Eloíse desceu a mão lentamente pelo peito do marido e esticou-se pegando uma taça de vinho na bancada e bebendo-lhe um gole.
-Maccheroni di Járed, mia bella. Má non è pronto ainda, capisce?
Eloíse encarou-o séria por um curto instante e então desatou a rir da tentativa fajuta de sotaque italiano do amado. Ele retirou a taça da mão dela e, com um sorriso que a derretia toda, pegou-a no colo enquanto ela ria e divertia-se pedindo para ele colocá-la no chão. Ele caminhou decidido até o quarto onde jogou-a carinhosamente na cama, imobilizando-a com uma das mãos e fazendo cócegas com a outra na sua garota, que meio ria, meio chorava de rir, implorando para que ele parasse. Ele só o fez quando suas barrigas já estavam doendo de tanto rir e, depois de recuperar o fôlego, beijou-a docemente nos lábios.
-Posso saber por que motivo fui assim tão covardemente agredida e tão divinamente recompensada?
Ele riu e teve que se concentrar para voltar ao personagem.
-La ragazza estava zombando de mia italianicidade e questionando il maccheroni del chef. Questo è imperdonabile! Merece o pior dos castigos... Amore! HUAHUAHUA!
Ela revirou os olhos, levantando-se.
-Certo, certo. Perdona, chef. Ma, olha, io vou tomar banho... – segurou o riso ao ver o olhar malicioso do marido – Nem pense nisso, seu italianozinho safado! Io sono una donna casada, capisce? E enquanto eu vou lá, por que não procura mio marito por ai? Ele deve ter se perdido... ou acho que superou o lance do ciúme pra deixar a esposa sozinha com um italiano tão prestativo... – disse provocante, indo para o banheiro, rindo ao ver a expressão do homem à sua frente, que franzia o cenho como que tentando se lembrar onde teria visto o Sr. Tielo.
-Io posso procurar teu marito lá pelas bandas da panela de molho. É aquele professorzão alto, bonito, inteligente, gostoso...
-Isso! Esse mesmo! – gritou Eloíse do banheiro. – Pode, por favor, trazê-lo de volta? É que eu estou com saudade, sabe?
- Non se preocupe, signora! Tuo marito estará esperando per te na mesa em 10 minutos. Per favore, non se atrase, bella.
Eloíse sorriu, amando sua vida e tudo o que fazia parte dela, especialmente aquele homem que tanto lhe amava de volta.