Uma jovem de longos cabelos castanhos estava sentada em frente a uma tela em branco. Ao seu redor, os materiais que a fariam preencher a tela se encontravam espalhados e intocados. Começara cedo a pintar; por volta dos 15 anos já surgiam países inteiros por suas mãos e mentes. Mas agora, quase 6 anos depois, as imagens surgiam raramente, pálidas, sem muito significado e com pouca emoção. Isso a frustrava. Pintar fora seu rumo por muito tempo. Foi o que a manteve viva quando tudo lhe dizia para ir. O que a transformou na mulher que agora era. E agora, após passar a manhã se preparando para isso, encarava a tela irritada. Nada havia lá. Nenhuma possibilidade! Nenhuma cor! Nada. Tentou começar. Quem sabe depois da primeira pincelada, as seguintes se apresentassem.
Pegou hesitantemente o pincel, seu fiel companheiro por tantos anos e molhou-o na tinta azul. Seus dedos tremiam e ela manteve-o na frente da tela, como se tivesse medo de fazer algo permanente. Finalmente, arriscou a primeira pincelada. Saiu mais como um rabisco, devido ao tremor resultado de um nervosismo inesperado. Aumentou-a, transformando um simples risco numa grande linha, dividindo a tela no meio, criando um longo horizonte.
Outras pessoas poderia achar que aquilo não faria muita diferença, mas ela não. Naquele aparentemente simples risco, ela viu.
Viu o céu azul brilhante com algumas nuvens fofas e arroxeadas. O Sol, grande, laranja e brilhante, descia lentamente, se pondo atrás de grandes montanhas esverdeadas. No primeiro plano, erguia-se majestoso castelo, com os muros de pedra cintilando à luz do crepúsculo. Um rio sinuoso corria, passando ao lado do castelo, criando um pequeno lago particular. À esquerda, erguia-se uma imponente floresta, com densas árvores encobrindo seus segredos. Acima do castelo, várias bandeiras de diferentes cores bordadas em ouro erguiam-se, ostentando seus diferentes estandartes dos que lá viviam.
Ela sorriu, dissipando a imagem sem deixa-la ir e encarou a tela semi-branca satisfeita. Misturava as cores empolgada, vibrando de felicidade ao ver seu novo mundo renascendo diante de seus olhos. Era pra isso que ela vivia. Para isso que ela estava ali. Para dar vida a novos mundos. Para trazer a Terra fragmentos do céu.