segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Jarelise *---*

[...]

Respirou profundamente após alguns rápidos, porém valiosos minutos de meditação. Sorriu, sentindo-se recuperada da longa caminhada. Correu as mãos pelos longos cabelos encaracolados, prendendo-os num simples e elegante rabo de cavalo. Levantou-se lentamente, ainda meio anestesiada pelo mundo à sua frente e, juntando suas coisas, despediu-se solenemente do belo coreto.
Subiu a curta estradinha íngreme que levava da porteira à porta de sua casa, de onde pode ouvir uma animada música italiana tocando na rádio, com Jared cantando-a com sua voz grave e melodiosa. O doce aroma do molho de tomate no fogão não deixava dúvidas quanto ao cardápio do almoço.
Abriu silenciosamente a porta, segurando o riso ao ver seu amor na bancada de chapéu de chef e avental, cortando tomates, distraído. Eloíse colocou a bolsa sobre o sofá e caminhou silenciosamente até o marido. Esperou ele largar a faca e tapou-lhe os olhos, numa antiga brincadeira clichê dos dois.
-Amore mio! – Exclamou o chef, virando-se sorridente e passando as mãos pela cintura da esposa, puxando-a para si. Ela não perdeu tempo, acariciando-lhe a nuca e içando-se para beijá-lo.
-Buon giorno, anjo. – murmurou ela sorrindo. – O que temos para mangiare hoje? – Eloíse desceu a mão lentamente pelo peito do marido e esticou-se pegando uma taça de vinho na bancada e bebendo-lhe um gole.
-Maccheroni di Járed, mia bella. Má non è pronto ainda, capisce?
Eloíse encarou-o séria por um curto instante e então desatou a rir da tentativa fajuta de sotaque italiano do amado. Ele retirou a taça da mão dela e, com um sorriso que a derretia toda, pegou-a no colo enquanto ela ria e divertia-se pedindo para ele colocá-la no chão. Ele caminhou decidido até o quarto onde jogou-a carinhosamente na cama, imobilizando-a com uma das mãos e fazendo cócegas com a outra na sua garota, que meio ria, meio chorava de rir, implorando para que ele parasse. Ele só o fez quando suas barrigas já estavam doendo de tanto rir e, depois de recuperar o fôlego, beijou-a docemente nos lábios.
-Posso saber por que motivo fui assim tão covardemente agredida e tão divinamente recompensada?
Ele riu e teve que se concentrar para voltar ao personagem.
-La ragazza estava zombando de mia italianicidade e questionando il maccheroni del chef. Questo è imperdonabile! Merece o pior dos castigos... Amore! HUAHUAHUA!
Ela revirou os olhos, levantando-se.
-Certo, certo. Perdona, chef. Ma, olha, io vou tomar banho... – segurou o riso ao ver o olhar malicioso do marido – Nem pense nisso, seu italianozinho safado! Io sono una donna casada, capisce? E enquanto eu vou lá, por que não procura mio marito por ai? Ele deve ter se perdido... ou acho que superou o lance do ciúme pra deixar a esposa sozinha com um italiano tão prestativo... – disse provocante, indo para o banheiro, rindo ao ver a expressão do homem à sua frente, que franzia o cenho como que tentando se lembrar onde teria visto o Sr. Tielo.
-Io posso procurar teu marito lá pelas bandas da panela de molho. É aquele professorzão alto, bonito, inteligente, gostoso...
-Isso! Esse mesmo! – gritou Eloíse do banheiro. – Pode, por favor, trazê-lo de volta? É que eu estou com saudade, sabe?
- Non se preocupe, signora! Tuo marito estará esperando per te na mesa em 10 minutos. Per favore, non se atrase, bella.
Eloíse sorriu, amando sua vida e tudo o que fazia parte dela, especialmente aquele homem que tanto lhe amava de volta.

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